Saber dizer saber ouvir
Natália Lopes.
Quando num debate público se juntam pessoas de vários partidos, torna-se uma tortura ficar quase uma hora a escutar atentamente as intervenções dos outros que são membros daquele grupo que tem opiniões predominantemen-te erradas e indutoras a erros porque se baseiam em pressupostos inspirados nos vícios ideológicos do comunismo, como totalitarismo, a diabolização dos indivíduos críticos, idolatrização de personalidades...
No dia em que o programa Estada da Nação da mui prestigiada STV foi dedicado ao papel do Deputado ficou quase esquecido que o parlamentar é um dignitário, que a valorização dele é importante para o fortalecimento da auto-estima de um povo como não o deixa de ser também a estima e valorização dos seus artistas, do seu treinador de futebol nacional, dos seus técnicos, dos seus jornalistas e até dos seus dirigentes!
A auto-estima é a base do patriotismo de um povo e começa pelo amor próprio, a nível pessoal, familiar ou de pequenos grupos!
Estimular o desprezo pelos deputados é combater o patriotismo. Afinal que respeito mereceria uma nação cujos deputados não fossem respeitáveis?
Que justiça existe em dizer que um líder de base, ido para a Assembléia da República cheio de sabedorias sagradas da Bíblia, do Corão ou do Direito Consuetudinário é ignorante?
Se advogou por exemplo, a existência de um fundo independente para pagar pessoas também sem dependência, que seriam os conselheiros dos deputados e suas bancadas.
Dá para imaginar a (in)dependência desses deputados a trabalhar sob aconselhamentos de pessoas a soldo desses fundos (in)dependentes (nacionais ou estrangeiros?)! Talvez os sete milhões!
Nenhum dos que falaram soube defender que :
-- Aos deputados basta e deve ser assegurado o direito de chegar a qualquer instituição e solicitar as informações e esclarecimentos que precisarem.
-- todos os que vivem num país devem ser educados a sentir-se honrados por receber um deputado na sua casa ou empresa e poder ajudá-lo.
-- As leis bem feitas e bem aplicadas beneficiam ao próprio cidadão por isso quem ajuda um deputado no cumprimento da missão de legislar e fiscalizar ajudas-se a si próprio ! Quem faz o contrário prejudica não só a si, mas também à Nação inteira.
-- É errado definir o Deputado como um incapaz, ou um de baixo nível de conhecimento e formação.
-- Quem chegou ao posto de Deputado certamente revelou antes sabedoria considerável em alguma área e tem à sua disposição um Partido para lhe ajudar no cumprimento da missão. É nesse partido que ele deve em primeiro lugar buscar assessórias.
-- Os fundos para assessória devem ser dos partidos representados pelos deputados assessorados que em caso de incapacidade financeira podem ser ajudados.
-- Os acadêmicos, começando pelos das bancadas parlamentares precisam de ter a humildade de reconhecer o saber valioso daqueles colegas que sem cursar faculdades acumularam os conhecimentos e saberes que lhes fizeram conquistar a confiança do seu povo ou partido para chegarem ao Parlamento.
-- É importante que o saber dos deputados seja valorizado independentemente da origem acadêmica, religiosa ou tradicional.
-- Quando uma eleição foi correcta e a pessoa chega ao parlamento e fica incapacitada, então no Parlamento está-se a trabalhar mal porquanto se estão fabricando incapazes! Transformar líderes de base em burros ignorantes é crime!
-- Eles se tornaram líderes porque têm sabedoria e os eleitores colocaram-lhes lá porque precisam de ver essa sua sabedoria reflectida nas leis.
-- Esta reflexão não foi feita para condenar seja quem for pelo que ficou pro dizer. Tão somente pretende diminuir a lacuna que as limitações de um programa televisivo deixam inevitavelmente!