A quem servirá o absentismo?
É a pergunta que me ocorre quando vejo as televisões a querem que apesar de estarmos em tempos eleitorais, ninguém possa falar de camiseta partidária aos microfones se não fôr nos espaços dedicados às coberturas das campanhas.
Porque não se deixa esta decisão individual ao critério de cada indivíduo?
Com esta atitude de obrigar a que membros activos dos partidos, em pleno tempo de campanha dispam as camisetas para dar uma opinião perante as câmaras perde-se uma oportunidade salutar de estimular à responsabilidade cívica de votar, ou seja, de combater o absentismo eleitoral.
Nenhuma oportunidade de estimular nos cidadãos a vontade de escolher o seu Presidente e seus deputados deve ser desperdiçada para que o Povo Moçambicano se torne mais participativo.
A verdade pode ser incômoda, mas é necessária.
Quando os moçambicanos começarem a vêr que os membros de um partido defendem posições e idéias mais justas que outros, idênticas às suas, vão saber que os políticos não são assim tão iguais como se tenta fazer crêr.
Isso vai fazer renascer a esperança em muitos que sendo patriotas desistiram da política activa porque se desiludiram. E até vai ajudar os que têm escolhas erradas a mudar para o Partido Certo.
Os órgãos de informação têm um papel precioso na construção da Democracia, e devem assumi-lo! Devem lidar com os partidos políticos na base do princípio da eqüidistância e isto não significa tentar sufocá-los ou ignora-los.
O jornalista pode e até deve ter o seu partido pessoal e é salutar quando uma figura pública tem a simplicidade e hombridade de dizer publicamente que é membro.
Importante é que nunca isso o leve a discriminar inferiorizando os partidos dos seus entrevistados! E a sinceridade ajuda a desenvolver o respeito entre os cidadãos neste caso. As pessoas acabam vendo que um jornalista é de um partido e outro do outro.
É um bom exemplo, vêr-se um jornalista de um Partido assumindo abertamente a sua filiação partidária e falar para o seu entrevistado sem aquelas intolerâncias que os nossos políticos às vezes têm. Os moçambicanos precisam muito de exemplos de liberdade e mútuo respeito!
Basta ter a honestidade de não favorecer os membros do seu Partido ou seus paralelos.
Ser eqüidistante!