GABINETE PRESIDENCIAL

Editorial

                            ÁFRICA E A DEMOCRACIA
                           O CASO DE MOÇAMBIQUE

O Continente Africano caminha para a sua Democratização a passo de camaleão com algumas excepções de alguns países da região que marcam pontos na implementação da Democracia Liberal.

Continuamos, infelizmente, com alguns países a se recusarem a seguir esta forma de ser que tem trazido a possibilidade de os seus povos usufruírem da beleza de governos verdadeiramente democráticos ------------------------

Também temos o caso do Zimbabwe que é dominado por um regime de restringe as liberdades dos cidadãos mormente da liberdade de reunião. Com efeito, no Zimbabué para reunir mais de 4 pessoas precisa ter autorização da estrutura do Governo!

Angola é aquilo que todos já sabemos, há mais de 15 anos que não há eleições naquele País lusófono...Os Angolanos queixam-se do facto de o Presidente José Eduardo dos Santos falar da data das eleições quando está fora de Angola, dentro do País não se pronuncia sobre elas...

A Namíbia orgulha-se de estar a praticar uma Democracia liberal onde os Partidos políticos têm o seu espaço na vida política do País, o que também é reivindicado por Botswana e Lesotho.

Estas abordagens constituíram pontos focais da reflexão havida na RSA quando do simpósio do EISA que decorreu na Cidade de benoni, de 06 a 09 de Novembro de 2007.

Foi um intercâmbio político bastante interessado este que o EISA proporcionou, onde a classe intelectual africana dissertou sobre o estágio da democracia no continente sobretudo na zona subsahariana. Com efeito África austral é rica em variedades de regimes que dão pano para a manga dos estudiosos da ciência política.

O caso de Moçambique foi omitido apesar da sua riqueza como exemplo de Paz, da seriedade dos subscritores do AGP que a todo o custo honram o compromisso. Existem muitos bons casos que teriam feito descambar a Paz e a concórdia, mas a sabedoria e a tolerância do Presidente Afonso Dhlakama evitaram o pior.

Por outro lado, o diálogo permanente entre o Presidente da Renamo, Afonso Dhlakama e o Presidente da República de então, Joaquim Chissano, desbloqueou muitos casos complicados que teriam perigado a Paz e a Democracia.

Chissano e Dhlakama desenvolveram a cultura de diálogo louvável a todos os títulos, o que já não acontece com o comissário político da Frelimo dos primeiros anos da Independência, Senhor Armando Emílio Guebuza.

Na verdade, Guebuza aboliu o diálogo com o presidente da Renamo e a todo o custo tenta apagar da história do AGP. O seu comportamento para com a Renamo e para com o Presidente da Renamo contrastam com o facto de ter sido ele o negociador do AGP, em Roma. Aqui é fácil entender por que as negociações levaram tanto tempo, prolongando o sofrimento dos moçambicanos. Afinal é porque Armando Guebuza não tem arte nem engenho para o diálogo. Não tem diplomacia.

Por isso mesmo a era guebuziana é
marcada por um comportamento autoritário, tipo quero, posso e mando! Está a escangalhar o País. Está a queimar o País! O País está a arder.

Há questões de estado que o Presidente Guebuza as trata sob signo de Partido único...Isso é mau! É antidemocrático!

O problema reside no facto de alguns Líderes africanos pensarem que a democracia é uma exportação da Europa e América e que África devia procurar o seu modelo de Democracia com este andar teremos democracia para África, Europa, América...Democracia para brancos, pretos, vermelhos, amarelos..

A democracia é como água. Onde ela existe há alegria, há vida! Onde não existe sofrimento, luto e dor. A Democracia tem várias nuances mas a sua raiz reside no facto de as decisões mais importantes da vida dos povos residirem no próprio povo. Cabe ao povo escolher o seu destino, os seus governantes e o modo de serem governados.
 

Fernando  Mazanga


 


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