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A Perdiz - edição nº 71

Editorial
Vale dizermos que o Governo desgoverna mesmo este país. Sendo nós governados que desejam ser bem tutelados, sempre cairemos na tentação de reagir emocionalmente às decisões políticas. Alias, ninguém pode resistir à indignação quando assiste, estes dias a uma total desorientação que o país vive. Gostaríamos que houvesse alguma empatia dos leitores sobre esta matéria que nos tem roubado sono, afinal trata-se de vidas humanas que a cada dia estão sendo ceifadas pelo canhão que troa impiedosamente. 
As decisões suicidas dos que estão à testa dos destinos do nosso Estado, só andam a atazanar as nossas consciências. Já são inúmeras as denúncias que vêem a público sobre desaparecimentos de homens representantes da RENAMO de base, na zona centro e norte de Moçambique e em consequência, passados alguns dias, confirma-se sua execução pelas Forças da Defesa e Segurança, a mando do Partido FRELIMO. Na verdade, estamos perante flagrantes violações dos direitos Humanos, se partirmos do princípio de que a vida humana é inviolável, um direito pessoal e intransmissível que o poder político não pode colher nem permitir que outros o façam. Assim sendo, como é que o nosso Governo pode permitir-se para tanto, matando, raptando e atentando contra a vida do presidente da RENAMO Afonso Dhlakama e o mundo inteiro não tem coragem de se pronunciar com responsabilidade sobre a matéria?
Passam alguns anos que vivemos em luto. Como ignorar isso? Inicialmente os ataques eram cirúrgicos somente contra membros da RENAMO mais incómodos lá longe das vistas dos embaixadores e dos jornalistas. Longe de tudo! Paulatinamente a ousadia do partido no poder foi se acentuando e começamos a tomar conhecimento de ataques aos homens da segurança dos quadros da RENAMO um pouco pelo país, partindo de Maríngue, subindo para Cheringoma e assim foi até atingir o líder quando se instalou em Nampula. Aqui não estamos mencionando ataques às colunas do Líder quando em missão de serviço, à descriminação deste homem quando chegava a determinadas regiões do país e quisesse pernoitar.
Ali, os administradores orientavam aos proprietários das estâncias turísticas para recusarem dormidas ao Líder da RENAMO. Há muito mais que não iremos aqui esgotar porque o dossier é muito extenso. Entretanto, os ataques a este homem foram se multiplicando um pouco pelo país e não faltavam reclamações por parte da RENAMO, mas ninguém queria acreditar, afinal o Governo com o seu partido sempre conseguiam dar volta à situação e enganavam a todos.
A nova fase da destruição do “inimigo” chamado RENAMO, começaria em Nampula e aquele ataque dramático parecia acidental, mas foi apenas a ponta do iceberg. Até que um dia a máscara do partido no poder caiu e em consequência disso, estamos vivendo um banho de sangue que o Governo está gerindo em silêncio e lutando por silenciar aqueles que entre os moçambicanos abriu-se e permanece uma dor, uma ferida ensanguentada, que causa angústia, revolta e desespero. Os moçambicanos já cresceram o suficiente para entenderem o que está acontecendo na nossa República. Aliás importa a todos que saibamos essa verdade apagada que move o Comandante-chefe a enveredar por esta via muscular quando existem várias alternativas à guerra.
Esta situação só pode deixar de preocupar aos assassinos históricos do nosso povo. Aqueles que confundem Defesa e Segurança com uma linha de artilharia apontada contra os adversários políticos e não contra os raptores, os traficantes de drogas e toda a sorte de criminosos que pululam neste país. Ao apontarem os seus B-11, B-10 e quem sabe os famosos 40 canos contra a serra de Gorongosa e sem vergonha vêem a público dizer que estavam a mostrar a RENAMO o músculo de que as FADM/FIR dispõem. Que palhaçada e incompetência revela este Ministério da Defesa! O que está a acontecer de facto é digno de ser julgado pela história. Esta intolerância é na verdade a quebra das raízes que unem um povo. E vale a pena sabermos que todas as mágoas são legítimas quando sentidas. E felizmente, podem ser concertadas havendo vontade politica para que isso aconteça. Quando falamos de vontade política, referimo-nos à franqueza, ausência de fingimentos, onde se senta à mesa para negociar com sinceridade. Hoje, o que este Governo nos mostra é sentar à mesa e fingir que negoceia para logo “bum”, ao reduto do mesmo adversário com quem diz estar a conversar…
Não devemos duvidar que o Governo do Presidente Guebuza, mostra-se cada vez mais tenso, sisudo, inseguro e aflito. Assim tenta influenciar a opinião pública a fim de colher apoios daqueles poucos que ainda pensam que Moçambique pertence a FRELIMO e a seus dirigentes. Aqueles que continuam a fazer por agradar, os sim senhores, que eventualmente recebem desprezo em troca dessa fidelidade cega e forçada. É provável que o partido governamental e seu executivo não estejam a perceber, mas convém realçar que todos esses assuntos e outros ainda por explicar têm influenciado sobre maneira no comportamento actual dos moçambicanos que dia-a-dia, lamentam os seus mortos, a miséria e as perseguições políticas e o único caminho que o nosso povo, encurralado pelo seu próprio Governo a mando do partido Frelimo, encontra é manifestar-se para ser liberto desta colonização ideológica. Como dissemos linhas acima, a ponta do Iceberg pode estar prestes a derrubar o histórico Frelimo caso este não reveja, logo as suas coordenadas ideológicas de matar e humilhar o povo, para satisfazer pretensões inconfessáveis.

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