Copyright 2017 - Portal da RENAMO

Discurso do Presidente do Partido Renamo por ocasião de assinatura do AGP

DISCURSO DO PRESIDENTE DO PARTIDO RENAMO, POR OCASIÃO DA

ASSINATURA DO ACORDO GERAL DE PAZ

Depois de dezasseis anos de luta armada liderada por Sua Excelência Presidente da Renamo Afonso Macacho Marceta

Dhlakama, o povo alcança a vitória político-militar que pôs Fim à guerra civil, impôs a democracia multipartidária e a

assinatura do Acordo Geral de Paz de 4 de Outubro de 1992.

Senhor John Thembo, Ministro do Estado Malawiano, Meu caro e estimado irmão Joaquim Atberto Chissano, Presidente de Moçambique, Itustres e distintos mediadores:

Mário Raffaeti, representante do Governo itatiano e coordenador dos mediadores, D. Jaime Gonçatves, Arcebisto da Beira, Proí. André Ricard, D. Mateus Zuppi, da Comunidade de S. Egídio, Excelentíssimos senhores representantes dos observadores: James Joahn, Secretário-Geral Adjunto das Nações, Unidas Subsecretário do Estado, Herman Cohen pelo Governo, dos Estados Unidos da América, Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e de Cooperação, Dr. José Manuel Durão Barroso - pelo Governo de Portugal, Minhas senhoras, Meus senhores. Hoje é dia grande para o povo e para a pátria moçambicana. Dia em que oficialmente põe termo às hostilidades entre a Renamo e a Frelimo.

Queremos, portanto, dirigir algumas palavras àqueles que tombaram neste acontecimento possível.

Lembramos, em primeiro lugar, os nossos irmãos mortos, todos moçambicanos combatentes ou não combatentes, de um lado ou de outro lado, caídos nesta luta fratricida.

Que o sangue derramado, não tenha sido derramado em vão e que sobre o seu sacrifício, que venha a haver, a partir de agora, uma nação renovada e reconcitiada. Lembramos também todo o nosso povo sofredor que nas cidades, nas matas esperou, tao ansiosamente, por este dia. É para etes, sobretudo, para os mais jovens, que dirigimos a nossa mensagem de esperança.

Vamos começar de novo, vamos trabalhar para reconquistar o país.

Uma palavra especial para os países, instituições e mediadores que pacientemente, generosamente acolheram os moçambicanos em desacordo e os auxiliaram, no seu esforço de reconciliação, italianos, portugueses, ingleses, americanos mas também os nossos irmãos da Africa, Quénia, Botswana, Zimbabwe, directamente ou indirectamente contribuíram para a concretização deste evento.

Também para o Presidente Chissano e ao Governo da Frelimo queremos dizer, muito claramente, que não há rancor, que a partir de agora, a regra de confiança dominará as nossas relações. A luta armada será substituída pela luta política e democrática. O povo escolherá aquele que entre nós, e outras forcas políticas, achar melhor.

Finalmente, também para os nossos companheiros de resistência e de luta, para os homens e mulheres, combatentes da Renamo, uma saudação especial.

«Foi graças ao vosso esforço, à vossa disciplina, à vossa coragem que chegamos a este momento. As razões da nossa luta são hoje reconhecidas por todos nós que estamos aqui reunidos. Peço-vos que aceiteis a mesma confiança, a mesma disciplina do termo da guerra, à luz das urgentes tarefas de paz e da construção da liberdade em Moçambique»

A África Austral entra um novo círculo de esperança, ao mesmo tempo que os nossos irmãos angolanos escolhem, em eleições livres e justas, o seu Governo, nós moçambicanos pomos termo à luta fratricida.

O facto de dois países de língua portuguesa, ambos até há pouco governados pelos partidos únicos e por isso em guerra civil, terem escolhido o caminho da democracia e da paz, é muito encorajador e muito significativo para a nossa região.

Que tal acordo de paz, no nosso caso moçambicanos, seja aqui assinado em Roma, cabeça do mundo cristão, cidade de tanto significado histórico, é também um sinal positivo.

Aos nossos amigos europeus, americanos, africanos, têm os olhos em nós mas o mais importante de tudo, o povo de Moçambique espera de nós, de uma vez por todas, o fim do seu sofrimento. Não podemos desiludir nem deixar sem resposta, por mais tempo.

Minhas senhoras, meus senhores

Convidados, personalidade

Tombaram milhares e milhares de moçambicanos. Pensamos nós que esta data seja um acontecimento muito válido para nós que estamos aqui.

Quero convidar o meu irmão, sua excelência Presidente da República Popular de Moçambique, Joaquim Alberto Chissano, que a Renamo irá respeitar o acordo que acabamos de assinar aqui. O importante para nós, meu irmão é aceitarmos a democracia. Liberdade, justiça, defesa pelos direitos humanos.

O poder para nós não é muito importante. Vamos acreditar no povo porque se falharmos e perdermos as eleições vamos aceitar a oposição. Eu quero confessar a todos os presentes aqui que a Renamo que eu lidero uma organização que irá respeitar, cumprir com o acordo. Para nós acordo põe termo aos 15 anos de guerra, por isso moçambicanos que estão aqui presentes, os convidados, os meus amigos americanos, europeus, africanos vieram aqui para testemunhar a este acontecimento.

Sem que prolongue mais, quero agradecer a paciência que os italianos tiveram, dois anos, de

negociações. Impasses e não impasses mas, italianos conseguiram puxar o Ministro Armando

Guebuza, o chefe do Departamento da Organização, Raúl Domingos, para uma reconciliação para um acordo que hoje estamos a testemunhar. Por isso não sei como hei-de agradecer o Governo italiano, mas também não esquecer a participação do Governo português através dos representantes aqui nas negociações, a participação do Governo dos Estados Unidos da América, a participação do Reino Unido, a participação da França, de outros inclusive o meu amigo Robert Mugabe que está aqui presente, o Presidente Quett Masire do Botswana, o Presidente Arap Moi, que infelizmente não está presente mas está representado pelo seu Vice-Presidente, está ai o Secretário de Cooperação, o senhor Durão Barroso, que representa o Governo português, o representante do Governo malawiano, o senhor Ministro do Estado John Themboe os demais.

Não vou esquecer os esforços dos nossos irmãos das organizações, nomeadamente as Nações

Unidas, que participaram muito também, a OUA embora não tivesse participado directamente mas estava informada a hoje está aqui presente e mais outros. Por isso, mais uma vez quer dizer, quero demonstrar a minha satisfação por termos assinado este acordo entre eu e o meu irmão Presidente Joaquim Alberto Chissano, portanto meu irmão, muito obrigado e muito obrigado a todos.

f t g m